domingo, 1 de janeiro de 2017
Aquele cacto estava seco, verde-morte, espinhos murchos. Findava-se ali,
no alto daquela pedra, a sua resistência teimosa contra a quentura do
Sertão. Sua feiúra me incomodou e me fez querer cuidar dele. Como
também me fez querer cuidar daquelas pessoas de lá. Não saía uma
reclamação sequer de suas bocas. Foram dias que não existiram, um
intervalo de tempo no Inferno, no qual eu não senti uma dor sequer na
alma. Dias que não cabem nos ponteiros do relógio. Parecia que o
infinito era a gente. Meu corpo e minh'alma receberam beijo e carinho de uma
moça que eu nunca tinha visto na vida e os cuidados de uma amiga cheia de poesia. Mas a feiúra daquele cacto me incomodou mesmo. É tão frágil
viver....
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